Crowdfunding bate meta e Dilma ganha R$ 500 mil para viagens

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Exame – A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) receberá R$ 500 mil para viajar o Brasil e resistir ao processo de impeachment. Os recursos foram arrecadados por doações on-line na plataforma de crowdfunding Catarse.

Idealizada por Guiomar Lopes e Celeste Martins, amigas de anos da petista, a arrecadação pública chegou ao valor pretendido em apenas dois dias. Ao todo, foram cerca de 7 mil doadores que fizeram deste o maior valor arrecadado através da plataforma em tão curto prazo.

Com o valor, Dilma poderia fazer cerca de 1 mil viagens de avião de carreira, tomando por base o gasto com viagens de Leonardo Picciani (PMDB), deputado federal que mais gastou com passagens em 2016 de acordo com as cotas parlamentares da Câmara dos Deputados. Picciani emitiu mais de 200 tíquetes, ao custo total de R$ 103.969,65.

Reportagem de EXAME.com lembra que há um momento ideal para encontrar passagens baratas para voar no Brasil na classe econômica: 21 dias de antecedência, em média. O planejamento pode garantir preços cerca de 40% mais baratos.

Sabe-se, porém, que uma viagem em jatos particulares podem custar cerca de R$ 50 mil em voos ida e volta de Brasília a São Paulo, por exemplo. Nesse caso, a arrecadação daria para cerca de 10 viagens, segundo cotação na plataformaAeroBid.

A CAMPANHA

Batizada “Jornada pela Democracia” foi criada por duas amigas da presidente afastada da época de resistência à ditadura militar. Elas justificam a arrecadação como uma ação na resistência pelo mandato de Dilma e “manutenção da democracia brasileira”.

“Achamos importante abrir uma conta onde as pessoas pudessem fazer doações e haver disponibilidade de recursos que a presidenta pudesse usar para as suas viagens,” afirma Guiomar em nota explicativa do projeto.

Diz o texto ainda que a campanha pretende auxiliar Dilma a demonstrar que o impeachment é “fraudulento” e isso requer viagens Brasil a fora para “conversar com parlamentares, representantes de instituições e de movimentos sociais”. O dinheiro seria usado para permanecer “alertando e mobilizando sobre o papel fundamental de cada um na resistência ao golpe”, dada a restrição de uso dos aviões da FAB por Dilma, determinado por MIchel Temer.

Como é de costume no Cartarse, a campanha oferece recompensas aos doadores. Aos maiores contribuintes, será dada uma citação nominal no site oficial de Dilma, uma foto oficial autografada em versão digital e um vídeo de agradecimento.

A campanha foi feita no modelo “flexível”, em que a organização receberia os recursos mesmo que a meta não fosse atingida. A empresa fica com 13% do valor e 4% vão para pagamentos de impostos.