Ex-desembargador preso no RN foi procurado para atuar na defesa de Henrique Alves, diz decisão

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Foto: Magnus Nascimento/Tribuna do Norte

O desembargador aposentado Francisco Barros Dias, preso nesta quarta-feira (30) em Natal durante a operação Alcmeon, foi procurado em junho passado pela defesa de Henrique Eduardo Alves para atuar em favor do ex-ministro no processo da operação Manus – um desdobramento da Lava Jato. A informação está na decisão do juiz federal Mário Jambo, que autorizou os pedidos de prisão preventiva do ex-desembargador, bem como os de condução coercitiva e busca e apreensão solicitados pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, para a deflagração da operação Alcmeon.

A Operação Alcmeon busca desarticular um grupo que explorava a compra e venda de votos e sentenças junto a uma turma do Tribunal Regional Eleitoral da 5ª região. Segundo a PF, o grupo agiu, inclusive, em processos relacionados à operação Lava Jato. Em nota, a defesa de Francisco Barros “nega veementemente a participação do advogado Francisco Barros Dias em qualquer conduta desonrosa e ressalta ainda que confia na Justiça e na verdade dos fatos”.

De acordo com a decisão de Mário Jambo, um diálogo interceptado de uma ligação entre Barros Dias e o advogado de Henrique Alves em Brasília, Marcelo Leal, evidencia o crime cometido pelo ex-desembargador, apontando sua contratação para atuar na defesa do ex-ministro no Rio Grande do Norte.

Na decisão, Jambo afirma que “confirmou-se que de fato Francisco Barros Dias vem prestando serviços advocatícios ilícitos, com base na exploração de prestígio, perante o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em desrespeito à quarentena constitucional, de forma reiterada e ininterrupta”. Barros se aposentou em 2015 e, de acordo com a lei, teria que ficar três anos sem advogar.

De acordo com as investigações da PF e do MPF, Francisco Barros Dias continuou agindo na compra e venda de decisões mesmo após se aposentar. Ele passou a atuar como advogado antes da conclusão do prazo de três anos – conhecido como quarentena – exigido aos magistrados que voltam a advogar depois de deixar a toga.

Segundo os investigadores, o desembargador oferecia vantagens a possíveis clientes, como o conhecimento que tinha no TRF. Os procuradores não sabem informar quantas pessoas teriam se beneficiado do esquema.

Francisco Barros Dias participou na noite desta quarta (30) de uma audiência de custódia, na qual teve a prisão mantida. Em seguida ele foi encaminhado ao Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, onde permanece preso.

Diálogo mostra que Francisco Barros foi procurado para atuar na defesa de Henrique Alves (Foto: Reprodução)Diálogo mostra que Francisco Barros foi procurado para atuar na defesa de Henrique Alves (Foto: Reprodução)

Diálogo mostra que Francisco Barros foi procurado para atuar na defesa de Henrique Alves (Foto: Reprodução)

O ex-deputado federal e ex-ministro Henrique Alves foi preso no dia 6 de junho durante a Operação Manus, um desdobramento da operação Lava Jato que investiga corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas, em Natal.

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Por Rafael Barbosa, G1 RN

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