Janot pede inclusão de Temer, Padilha e Moreira em inquérito que investiga organização criminosa

O presidente brasileiro Michel Temer e o ministro Eliseu Padilha durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
O PRESIDENTE BRASILEIRO MICHEL TEMER E O MINISTRO ELISEU PADILHA (FOTO: UESLEI MARCELINO/REUTERS)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu para incluir o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa CiviL) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência da República) na lista de investigados no inquérito aberto no STF para apurar o crime de organização criminosa supostamente cometido por deputados e ex-deputados do PMDB. Na avaliação de Janot, há relação entre os dois grupos, por isso tudo deve ser reunido no mesmo inquérito.

“Não se trata aqui de uma nova investigação contra o presidente da República, mas de uma readequação daquela já autorizada no que concerne ao crime de organização criminosa”, escreveu Janot. No caso de Padilha e Moreira, eles não eram investigados em nenhum dos dois inquéritos que tratam desse delito. A decisão de deslocar a investigação de Temer e incluir os dois ministros na lista de investigados dependerá do relator deste, o ministro Edson Fachin, responsável pelos processos da Lava-Jato no STF.

O inquérito para investigar os parlamentares do PMDB é o de número 4327, aberto em outubro do ano passado. Em maio deste ano, foi instaurado o inquérito número 4483, para investigar Temer por corrupção passiva, obstrução de justiça e lavagem de dinheiro. Mas Janot achou melhor separar cada um desses crimes, que, assim, passam a ser investigados em inquéritos diferentes. O 4483 ficará apenas com obstrução de justiça. Já a denúncia de corrupção passiva está no inquérito número 4517.

“O avanço nas investigações demonstrou que a organização criminosa investigada no inquérito 4483 na verdade, ao que tudo indica, é mero desdobramento da atuação da organização criminosa objeto dos presentes autos. Por isso, no que tange a este crime específico (organização criminosa), mostra-se mais adequado e eficiente que a investigação seja feita no bojo destes autos e não do Inquérito 4483”, escreveu Janot fazendo referência ao inquérito 4327.

Em 26 junho, quando denunciou Temer por corrupção passiva, Janot já tinha solicitado o compartilhamento das provas do inquérito 4483 com o 4327. Dois dias depois, Fachin concordou. Mas não tinha ocorrido ainda solicitação para que Temer fosse investigado conjuntamente nesse processo.

Em 26 de junho, o delegado Marlon Cajado, da Polícia Federal (PF), já tinha pedido que Temer, Padilha e Moreira fossem investigados no inquérito para apurar a existência de uma organização criminosa entre os deputados do PMDB e pessoas próximas. Fachin solicitou a opinião de Janot, que agora se manifestou favoravelmente.

No inquérito 4327 já eram investigadas 15 pessoas, a maioria parlamentares ou ex-parlamentares do PMDB. Entre elas estão os deputados Altineu Côrtes (RJ), Aníbal Gomes (CE), Manoel Júnior (PB), André Moura (PSC-SE) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); os ex-deputados Alexandre Santos (RJ), Carlos Willian (MG), Eduardo Cunha (RJ), Henrique Alves (RN), João Magalhães (MG), Nelson Bornier (RJ) e Solange Almeida (RJ); o banqueiro André Esteves; o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB; e Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de políticos peemedebistas.

 

Fonte:http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2017/08/janot-pede-inclusao-de-temer-padilha-e-moreira-em-inquerito-que-investiga-organizacao-criminosa.html