Trump acusa China de não ajudar os EUA com a Coreia do Norte

O Presidente eleito dos Estados Unidos da América, Donald J.Trump, na Florida a 28 de dezembro de 2016. | Jonathan Ernst – Reuters

Já lhe chamam a ‘diplomacia-por-tweet‘. Donald Trump continua a dar indicações na rede social Twitter sobre a políticas que irá seguir como Presidente dos Estados Unidos da América. Nas últimas horas, em doistweets, empurrou para canto a mais recente ameaça norte-coreana e aproveitou a questão para atacar a China.

“A China tem tirado enormes quantidades de dinheiro e riqueza dos EUA num comércio completamente unilateral mas não ajuda com a Coreia do Norte. Simpático!”, publicou Trump.

China has been taking out massive amounts of money & wealth from the U.S. in totally one-sided trade, but won’t help with North Korea. Nice!

Tradução: “A China tem retirado enormes quantidades de dinheiro e riqueza dos EUA em um comércio totalmente unilateral, mas não vai ajudar com a Coréia do Norte. Agradável! “

Não é a primeira vez que Trump dá a entender que, consigo na Casa Branca, as relações entre Washington e Pequim poderão tornar-se extremamente tensas.

O mês passado, também num tweet, o Presidente eleito denunciou por exemplo a apreensão pela China de um drone norte-americano de pesquisa subaquática em águas internacionais, chamando-lhe ‘roubo’.

China steals United States Navy research drone in international waters – rips it out of water and takes it to China in unprecedented act.

 Tradução: “A China rouba o drone de pesquisa da Marinha dos Estados Unidos em águas internacionais – rasga-a fora da água e leva-a para a China em um ato sem precedentes.”

No início de dezembro, Trump acusara a China de manipular moeda e de militarizar o Mar do Sul da China.

“Será que a China nos perguntou se podia desvalorizar a sua moeda (tornando mais difícil às nossas empresas competir), taxar fortemente os nossos produtos importados pelo país (os EUA não os taxa) ou construir um enorme complexo industrial no meio do mar do Sul da China. Não me parece!” referiu Donald Trump.

Did China ask us if it was OK to devalue their currency (making it hard for our companies to compete), heavily tax our products going into…

Tradução: “A China perguntou-nos se era OK para desvalorizar a sua moeda (tornando difícil para as nossas empresas a competir), pesadamente impostos nossos produtos entrando em …”

their country (the U.S. doesn’t tax them) or to build a massive military complex in the middle of the South China Sea? I don’t think so!

 Tradução: “Seu país (os EUA não os taxam) ou para construir um complexo militar maciço no meio do Mar da China Meridional? Eu não penso assim!”

O primeiro sinal de que nada seria como dantes já tinha sido dado logo após a eleição, quando Trump aceitou o telefonema do Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que falou para lhe dar os parabéns.
Ameaça norte-coreana
Não se sabe quanto tempo irá durar a paciência chinesa com estas declarações. Ou se irá aguentar eventuais dificuldades que a Administração Trump consiga impor ao comércio de produtos chineses nos EUA.

Significativo também que pareça estar a desenvolver-se um entendimento entre a Rússia e os EUA. Pelo menos em matéria de arsenais nucleares, Vladimir Putin e Donald Trump parecem pensar da mesma maneira. Já Pequim opõe-se ao reforço de tais armas

A Coreia do Norte parece estar a posicionar-se como palco privilegiado das escaramuças politicas e diplomáticas entre os dois gigantes mundiais, embora esteja a tentar tornar-se um jogador em pleno.

Este domingo, o Presidente Kim Jong Un, na sua mensagem de Ano Novo transmitida pela televisão para toda a Coreia do Norte, anunciou que o pais está pronto a testar um míssil balístico intercontinental, capaz, em teoria, de atingir território dos Estados Unidos com impacto nuclear.

“A pesquisa e desenvolvimento de ponta em equipamento militar estão a avançar ativamente e a preparação do lançamento de teste do foguete ICBM está nos estágios finais”, anunciou o Presidente norte-coreano.

O Pentágono reagiu, avisando Pyongyang contra “ações provocatórias”.

Trump foi mais categórico: “não vai acontecer”, tweetou.
Coreia do Sul otimista
“A Coreia do Norte acabou de anunciar que está nos estágios finais do  desenvolvimento de uma arma nuclear capaz de atingir os Estados Unidos. Não vai acontecer!”

North Korea just stated that it is in the final stages of developing a nuclear weapon capable of reaching parts of the U.S. It won’t happen!

 Tradução: “A Coréia do Norte acaba de afirmar que está em fase final de desenvolvimento de uma arma nuclear capaz de alcançar partes dos EUA. Não vai acontecer!”

A Coreia do Sul reagiu ao tweet de Trump com otimismo.

O ministério sul coreano dos Negócios Estrangeiros interpretou as palavras do Presidente eleito como um “claro aviso” aos seus vizinhos do Norte.

O “aviso claro” dado pelo Presidente eleito a Coreia do Norte mostra que ele está “ciente da gravidade da ameaça colocada pelo programa nuclear norte-coreano” e que irá “adotar uma posição inabalável sobre a necessidade de manter a política de sanções contra a Coreia do Norte e a cooperação próxima entre a Coreia do Sul e os E.U.A.”, considerou numa conferência de imprensa o porta-voz do ministério, Cho June-hyuck.

Este foi o mais recente tweet de Trump sobre a Coreia do Norte. O Presidente eleito ainda não delineou a forma como irá lidar com Pyongyang mas, durante a campanha eleitoral, deu indicações que estaria disposto a conversar com o seu líder, Kim Jong Un, se tivesse oportunidade.

Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/mundo/trump-acusa-china-de-nao-ajudar-os-eua-com-a-coreia-do-norte_n973262